O ato de cuidar

Muito se pode dizer sobre o cuidar. Pode cuidar-se de uma flor, de um jardim, de uma casa, de um bebé, de um idoso, do nosso familiar, do nosso vizinho, de um doente no hospital, de nós mesmos e nunca mais parava de enunciar o objeto do cuidar. Mas seja ele qual for, certamente o que podemos desejar é que esse ato de cuidar seja o mais perfeito possível, com toda a dedicação, com toda a disponibilidade, com um olhar atento a todas as necessidades.

Nas nossas casas nós cuidamos de todos os cantos, não queremos deixar nenhum para trás onde acumular resíduos. No cuidado ao ser humano também não podemos descurar nenhuma componente, temos que olhá-lo no seu todo. Claro está, que existem necessidades básicas a satisfazer como as de alimentação e higiene, por exemplo, mas há muito mais que isso. Existem necessidades emocionais, sociais, o ser humano está inserido no seu contexto, no meio que o rodeia.

As necessidades que eu tenho enquanto pessoa, não são iguais à de nenhuma outra. Eu sou único. E serei sempre único, e vou desejar ser respeitado nessa minha individualidade. Enquanto um Ser são ou doente, enquanto preservo a minha autonomia ou quando me torno dependente.

Por isso o ato de cuidar, esse tão grande ato, deve ser personalizado, carregado de empatia e empenho e quando se abraça esta tarefa, muitas das vezes entre tantas outras que o dia-a-dia nos exige, podemos, e é humano, ficar desgastados. Será normal que possamos ficar debilitados a nível físico e emocional, por vezes com sintomas de ansiedade, depressão, culpa e irritabilidade, entre outros, porque nos sentimos cansados e ao mesmo tempo limitados por querer e não conseguir fazer mais, por desejarmos ter tempo para nós, o que é perfeitamente legitimo e não é egoísmo, é apenas a premissa, de que se não estivermos bem, não poderemos cuidar bem dos outros.

Então não podemos OLHAR apenas o outro no seu todo. Temos que OLHAR também para nós e por nós.

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